segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Robocop

É muito bom ver um diretor brasileiro em Hollywood, trabalhando com atores de renome internacional e com efeitos especiais de primeira, algo impensável no cinema nacional. José Padilha foi muito corajoso ao aceitar dirigir o remake de um dos maiores ícones da sétima arte. Ele sabia que as comparações com o filme de 1987 seriam inevitáveis, e também sabia como a crítica americana seria implacável. E, na minha opinião, foi bem.

Todo mundo tinha um certo receio do Padilha não conseguir imprimir seu estilo no filme, de ter suas mãos atadas pelos produtores, já que os estúdios investem muito dinheiro para depois obter o retorno financeiro, deixando a qualidade da história, muitas vezes, em segundo plano. Porém, o que se vê no Robocop do Padilha lembra muito Tropa de Elite 1 e 2, os filmes que fizeram a MGM abrir os olhos para ele, principalmente no fato do diretor aproveitar o roteiro para criticar o sistema, dessa vez, o sistema americano. O personagem principal, assim como o Capitão Nascimento, é um policial que luta contra a corrupção dentro da própria polícia. O papel de Samuel L. Jackson é uma versão americana do apresentador de TV sensacionalista de Tropa de Elite 2, interpretado pelo André Mattos.

O astros que compõem o elenco vão bem. Gary Oldman, Samuel L. Jackson e Michael Keaton desempenham seus personagens de maneira discreta, mas sem comprometer. Só de ter esses três grandes atores o filme já vale a pena.


Dou nota 7 pro filme. Padilha conseguiu colocar sua personalidade, conseguiu falar de política, mas no final, acabou sendo um filme de ação americano, que não surpreende ninguém e trata dos temas delicados superficialmente, sem se aprofundar, diferentemente de Tropa de Elite 2, que continua sendo seu melhor trabalho.