quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O Irlandês

Assisti as 3h30 de "O Irlandês", o novo filme do aclamado Martin Scorsese. E sim, eu pausei algumas vezes, não só para ir ao banheiro (chupa, Pablo Villaça!). A duração, aliás, achei exagerada, ainda mais pela história se desenrolar num ritmo lento, o que tornou o filme cansativo. Poderia ter uns 40 minutos a menos, sobretudo na conclusão, que se arrasta demasiadamente após o clímax por cerca de 30 minutos.

Falando nisso, sabe um filme com mais de 3h e que não achei que deveria ser menor? "Vingadores: Ultimato", logo, um filme de herói, tão criticado pelo Scorsese. Que ironia....


Pra quem curte filmes sobre máfia, "O Irlandês" é um prato cheio. Tem tudo que esse gênero permite: mortes, segredos, política, traições. Mas não achei uma obra-prima como tenho visto muitos críticos alardearem. É um bom filme, acima da média, mas tem algumas falhas evidentes que incomodam a tal ponto que a obra não pode ser considerada perfeita, na minha opinião. Além da duração exagerada, as outras coisas que me desagradaram foram:

* O CGI de rejuvenescimento ficou bem nítido logo na primeira vez que apareceu, não gerando nenhum fascínio, nenhum impacto em quem assiste. Pelo contrário, isto atrapalhou um pouco a experiência, pois desviava o foco da história para os efeitos especiais explícitos. Dava pra perceber de cara o uso da tecnologia. Talvez fosse melhor usar um outro ator para interpretar o personagem na juventude, sem a necessidade de usar computação gráfica. Outro bom motivo para usar um ator mais jovem são as cenas de ação. O fato do próprio De Niro, idoso, fazer as cenas do personagem dele quando jovem deixava claro como os movimentos nas cenas de ação não correspondiam a um homem com vigor físico. Numa cena, por exemplo, em que ele bate num comerciante que empurrou a filha dele, é ridículo ver o veinho de 76 anos, mesmo com a cara rejuvenescida, descendo a porrada. Os movimentos lentos, sem tanta pujança, não condizem com a idade do personagem;

* Percebi uma falha de continuidade inacreditável para um diretor deste porte na sequência em que tentam matar um personagem no tribunal. Sem dar spoiler: durante a cena, logo depois que o cara dispara, o filho do Hoffa corre e agarra o atirador por trás. Já no corte seguinte, o cara reaparece sem ninguém o segurando. Como assim??

* Aliás, essa cena ainda tem outra falha que aparece outras vezes no filme: o dublê do Al Pacino nas cenas de porrada. É muito claro que se trata de um dublê. O diretor poderia ter feito um esforço maior pra esconder a mudança do ator pelo dublê. Há cortes e enquadramentos que disfarçariam melhor. Isto também atrapalha a imersão no filme, a crença no que está sendo mostrado em tela;

* Outra coisa que não curti foi a participação da Anna Paquin. Mesmo o longa durando tanto a coitada foi sub-aproveitada. Se falou 5 palavras o filme inteiro foi muito. Queria mais da relação dela adulta com o pai e com o Hoffa.

Pra não dizerem que só falei de coisa ruim, a direção de atores e os enquadramentos estão impecáveis. Há diálogos maravilhosos (texto, tanto o roteiro quanto as falas de personagens, é a coisa que mais valorizo num filme). Os três atores principais, como esperado, estão perfeitos. De Niro e Pesci estão ótimos, mas Al Pacino, com seus quase 80 anos, rouba a cena. Merece ser indicado ao Oscar. Não que os outros 2 também não mereçam, mas ele entrega um personagem forte, temperamental, cativante e até cômico muitas vezes. Que atuação! As cenas dele com o personagem Tony Pro são hilárias kkkkk! Genial!

O clímax do filme também foi bem construído. A aflição foi subindo, subindo, a dúvida de saber como aquilo iria acabar. Foi a mesma sensação que tive com o final de "Era uma Vez em Hollywood...", do Tarantino. É maravilhoso quando a tensão te deixa paralisado, sem piscar. Foi muito bom assistir a resolução da história sem conhecer a realidade (o filme é baseado em fatos reais). A surpresa e o impacto do desfecho foi por inteiro.

Apesar de ser um filme longo, vale a pena ver "O Irlandês". Não gostei tanto quanto os críticos especializados, que sabem muito mais de cinema do que eu. Mas, como espectador, vi alguns problemas que atrapalharam a experiência e que estes críticos não viram ou não deram muito bola. Questão de gosto, como há quem prefira os filmes de super-heróis e não querem saber desses filmes lentos de máfia exibidos em plataformas de streaming. Normal. Eu gosto dos dois e tudo continua sendo cinema, viu, Martin?

sexta-feira, 14 de junho de 2019

3 sugestões melhores para o formato da Copa América que o atual

Acorda, Conmebol!

Hoje se inicia mais uma Copa América e, mais uma vez, teremos seleções do outro lado do mundo disputando o torneio. Este ano os convidados foram Japão e Catar. Ano que vem será a Austrália. Que merda! Convidar esses países da Ásia e da Oceania para a Copa América é ridículo, não faz nenhum sentido. Já passou da hora da Conmebol ajeitar isso. 

Apresento 3 alternativas de fórmula da competição que me parecem bem mais plausíveis que o formato atual. Vamos a elas:

1ª. Para completar os 12 times, convida 2 da América Central. Mesmo a Copa Ouro (o torneio continental deles) acontecendo no mesmo período da Copa América, apenas 16 times dos 35 filiados da CONCACAF a disputam, ou seja, dá pra convidar 2 dos 19 não-classificados; 

2ª. A Conmebol tem 10 filiados, mas a América do Sul tem 12 países (não incluindo a Guiana Francesa, que é um departamento ultramarino da França). Ou seja, problema resolvido. Convida o Suriname e a Guiana sempre! Este ano, porém, a Guiana conseguiu se classificar para a Copa Ouro e não teria como participar da Copa América. Daria pra chamar então a Guiana Francesa, pois, mesmo não sendo um país independente, tem uma seleção de futebol;

* Suriname e Guiana, apesar de geograficamente estarem na América do Sul, preferiram ser filiadas da CONCACAF por acreditarem que teriam mais chances de chegar a uma Copa do Mundo disputando com os times da América Central e do Norte. Um exemplo inverso é a Austrália, que saiu da confederação da Oceania e está na da Ásia, justamente pra disputar com adversários mais qualificados.

3ª. A minha ideia preferida: divide as 10 seleções em 2 grupos de 5 times. Os 2 melhores de cada grupo vão para as semis. O máximo de jogos que um time poderia fazer continuaria o mesmo do sistema atual, 6. Mesmo perdendo uma fase de mata-mata, ou seja, uma fase teoricamente com jogos mais emocionantes, pelo menos os 3º colocados não seriam premiados com uma classificação à outra fase como acontece hoje.

domingo, 9 de junho de 2019

Os templates dos torneios FIFA

Quinta, dia 6 de junho, começaram as Eliminatórias para a Copa 2022. Mas o que me chamou atenção mesmo foi o atraso no lançamento da identidade visual do torneio. Já estamos em 2019 e nada do logotipo da Copa do Catar ser divulgado. As logomarcas das últimas Copas, em 2014 e 2018, foram apresentadas 4 anos antes. Que demora é essa? Vai vir um novo template das competições FIFA no lugar desse padrão em forma de troféu atualmente em uso? Mesmo assim, não justifica os organizadores do evento ainda não terem lançado o logotipo, algo tão essencial para divulgação e sucesso comercial do torneio.

Aliás, mais atrasadas ainda estão as logos da Copa do Mundo de beach soccer e do Mundial masculino sub-17 que acontecem já no 2° semestre deste ano. O torneio sub-17 até se justifica o atraso, pois a sede foi mudada às pressas. Ia ser no Peru e agora será no Brasil.

Aproveitando que esse assunto, a padronização do template dos logotipos dos torneios FIFA, me interessa muito, vamos a uma breve explicação sobre eles. Se não me engano, a FIFA está no seu 3° padrão para criação dos logotipos envolvendo todas as suas 10 competições (Mundial masculino e feminino, Copa das Confederações, Mundial de clubes, Mundial de futsal, Mundial de beach soccer e mundiais sub-17 e sub-20 masculino e feminino).

Pelas minhas pesquisas, o 1° padrão foi usado em 20 torneios entre 99 e 2006. Se baseava num retângulo com um símbolo do país-sede à direita e que possuía na barra inferior o nome da sede e o ano da competição. Exemplos:




O 2° padrão foi de 2006 a 2015 e englobou 36 torneios FIFA. Também era um retângulo, mas dessa vez em pé, com o símbolo do país-sede agora à esquerda e com mais liberdade para o desenho representativo do país. Exemplos:




O 3° e atual padrão iniciou-se em 2013 e, até agora, já foi o template de 22 competições da FIFA. É basicamente o troféu do torneio estilizado com símbolos do país-sede. Gostei da premissa de incluir o troféu no logo, mas, às vezes, parece meio confuso e poluído. O da Copa de 2014 no Brasil mesmo é feio demais! Exemplos:




Que venha o próximo padrão! Esse jornalista amante do futebol aqui adora!

Nossa seleção feminina de futebol não merece mais uma derrota traumática

Não, não é a primeira vez que a Copa do Mundo Feminina é transmitida em TV aberta. 

Em 2007 a Band acompanhou nossa seleção na Copa da China quando fizemos a melhor campanha de toda nossa história. A Rainha Marta estava no auge e atropelamos as fortíssimas americanas nas semifinais. Nem o mais otimista torcedor esperava um triunfo tão esmagador. Elas jogaram muito!

O vídeo abaixo é da ESPETACULAR narração do Luciano do Valle nesta goleada de 4x0. Nunca fui fã da narração dele, porém, neste jogo, principalmente ao narrar o quarto gol, talvez o mais bonito na carreira de nossa Rainha Marta, ele se superou e deixou marcada sua voz na história do futebol brasileiro. É de arrepiar. É de chorar.


Infelizmente, na final, perdemos para as alemães por 2x0. Sofri muito com esta derrota, aliás, como nunca sofri com uma eliminação da seleção masculina. Não sabia eu que derrotas piores ainda estariam por vir. O futebol feminino tem um retrospecto bastante sofrido e perverso de muitas eliminações dramáticas em Copas e Olimpíadas, muitas derrotas na prorrogação ou nos pênaltis e muitos gols sofridos nos acréscimos. O destino vem sendo bastante cruel com essas jogadoras. Várias vezes chegamos tão perto, tão perto, e nada. 

As lembranças são as piores possíveis: além desta final perdida em 2007, fomos eliminados na Copa de 2011 nos pênaltis para as americanas. Em Jogos Olímpicos as derrotas foram mais cruéis ainda. Em 96, na estreia do futebol feminino em Olimpíadas, perdemos a semifinal para a China com um gol nos acréscimos. Já nas Olimpíadas de 2004 e 2008 ficamos com a medalha de prata após duas derrotas da mesma forma nas finais: perdemos para os Estados Unidos na prorrogação depois de empates no tempo normal. Ou seja, num intervalo de 4 anos, contando com a Copa do Mundo de 2007, chegamos a 3 finais e perdemos as 3. Até hoje não sei explicar. Elas mereciam demais vencer pelo menos um dos três títulos. Se eu pudesse, abriria mão de ver a seleção masculina vencer mais uma Copa em troca de um título para as mulheres. Se com falta de recursos, de apoio da CBF, de estrutura de desenvolvimento das atletas de base já conseguimos chegar tão perto, imagine se o futebol feminino fosse levado mais a sério neste país?

Como desgraça pouca é bobagem na trajetória destas jogadoras, a última eliminação doída aconteceu em casa. Na semifinal das Olimpíadas do Rio, em 2016, perdemos a vaga na final nos pênaltis para a Suécia, sendo que já tínhamos enfrentado as mesmas suecas na 1ª fase dez dias antes e as goleamos por 5x1 (eu estava no Estádio Engenhão vendo esse jogo). Éramos muito superiores, mas não sei como, não conseguimos vencê-las novamente.

Enfim, apesar de todo este espaço que a mídia vem dando para a nossa seleção neste mundial da França, de toda a cobertura que uma Copa feminina jamais teve no Brasil, inclusive com empresas liberando seus funcionários para verem as partidas, chegamos a esta edição com pouquíssimas chances. Não somos mais favoritos como em outras épocas. Perdemos os últimos 9 jogos preparatórios, a craque Marta (única jogadora de futebol, homem ou mulher, eleita 6 vezes melhor do mundo) vem de lesão e não joga o primeiro jogo, a meio-campo Formiga, nossa outra craque (disputa sua sétima Copa do Mundo, um recorde entre homens e mulheres), já tem 41 anos e nosso treinador Vadão é bastante contestado.

Espero que um eventual tropeço não afaste a torcida de edições futuras. As jogadoras pouca culpa têm nas derrotas passadas. Precisamos cobrar mais investimento e comprometimento da CBF em dar condições para que nossas atletas voltem a disputar as grandes competições de igual para igual com qualquer outra seleção no mundo. Desta forma, uma hora, o tão sonhado título virá. Tomara!

segunda-feira, 20 de maio de 2019

O trágico fim de Game of Thrones


[NÃO CONTÉM SPOILERS] Pode ler tranquilo.

A imagem acima representa muito bem o que foi Game of Thrones. Inclusive a Batalha dos Bastardos no final da sexta temporada, talvez meu episódio favorito entre todos os 73. A série mais comentada da história, mais cara, mais premiada, mais assistida, poderia ter sido também a melhor. Não foi.

Da primeira à sexta temporada GoT foi a melhor série de todos os tempos. A narrativa de um continente fictício e a disputa pelo reino foi muito bem contada em 60 episódios. O enredo fazia mais sentido ainda por causa das histórias anteriores aos acontecimentos da série vindas dos livros que traziam um background fundamental para o entendimento completo da trama. O que mais me encantou foi o fato de conseguirem unir um mundo fantástico habitado por zumbis, dragões e gigantes, por exemplo, com um jogo político cheio de intrigas nos bastidores e reviravoltas, personagens bem construídos e interpretados, roteiro surpreendente e diálogos inteligentes, cheios de sarcasmo e humor. Além disso, não tinha mocinho nem vilão. Todos tinham seus interesses e suas nuances. Cada episódio era um primor de qualidade técnica e textual. Até os protagonistas tinham fins trágicos e inesperados. Mesmo com tantos personagens a série conseguia desenvolvê-los com qualidade e coerência. Porém, tudo mudou quando o criador da história, George R. R. Martin, decidiu se afastar da produção.

Na sétima e na oitava temporada a série virou um novelão mexicano, com muita motivação de personagem sendo mudada abruptamente, diálogos e roteiro pobres e nada impactantes, atitudes forçadas e sem a imprevisibilidade de outrora. Está óbvio que o afastamento do criador da história foi determinante para o fracasso. Além disso, o fato de quererem resolver tudo em mais ou menos 15 episódios também prejudicou o desfecho da narrativa. Eu cito o episódio 2 da temporada 8 como exemplo, pois ele chegou perto do que a série era anteriormente: relação de personagens complexos com motivações variadas e tão diferentes entre si. Já o episódio 5 desta mesma temporada serve para mostrar como em efeitos especiais e CGI não tem pra ninguém (excetuando a batalha dos vivos contra os mortos, no episódio 3, que foi uma porcaria. Não dava pra ver nada!). Depois desse término tão broxante nunca mais acompanho uma série da HBO. Vou esperar chegar ao fim e me basear nas opiniões dos fãs e críticos. Se o final for considerado bom, começo a assistir. A decepção com GoT foi forte demais, rsrsrs. 

Mindinho, Varys, Theon, Stannis, Cersey, Tyrion, Daenerys, Jaime, Jon, Bran, Arya, Rei da Noite, Verme Cinzento, espero que tenham um desfecho nos livros melhor e mais condizente com a jornada de vocês do que este da série. E não falo em final feliz, falo em final bem escrito. Acho que só o Cão seguiu sendo bem desenvolvido nessas últimas temporadas. A reviravolta que aconteceu com um dos personagens principais nos episódios finais, por exemplo, seria incrível e faria da série ainda mais ousada e excepcional se tivesse sido bem embasada em situações e diálogos que tornassem críveis a mudança. O roteiro de D&D transformou bruscamente o caráter do personagem em dois episódios. Não tem como aceitar!

A série acabou tão mal que chego a achar que o George R. R. Martin mentiu de propósito sobre como terminaria a história das Crônicas de Gelo & Fogo só pra vender mais livros depois do fim melancólico na TV. Até eu que não li nenhum dos livros estou curioso para saber como a narrativa se desenrolará nas mãos do seu criador.

E pra não dizer que só critico D&D, eles me surpreenderam na direção do episódio final. Foram muito bem. Tem uma cena de um dragão levantando voo por atrás de um personagem que é espetacular. Porém, como roteiristas, se mostraram piores que o Walcyr Carrasco. E eles ainda foram contratados para escrever uma nova trilogia de Star Wars. Disney, ainda dá tempo de demitir.