Um filme do seu tempo. Aliás, é o primeiro filme politizado da Marvel. Discute temas como desigualdade, refugiados, soberania entre nações, construção de muros, além do roteiro possuir discursos raciais pesados, explícitos. Ou seja, um filme atualíssimo. Como é bom ver um blockbuster tocar em temas tão importantes que alcançarão tanta gente, algo que um filme mais conceitual ou independente não alcançaria.
Dentre as boas coisas do filme, a melhor é o elenco. Mesmo com muitos personagens, o roteiro consegue dar espaço de cena e certa relevância para todos os coadjuvantes, o que é uma qualidade notável, já que a maioria dos filmes de heróis não conseguem trabalhar os personagens secundários tão bem. E os atores brilham demais interpretando seus papéis, com destaque para Andy Serkis, especialista em dar vida a criaturas de computação gráfica via captura de movimento mas que aqui mostra que é um ótimo ator de cara limpa também; Letitia Wright, que faz a irmã do Pantera, Shuri, e faz uma moleca cativante; Danai Gurira, no papel de Okoye, líder das Dora Milaje, engraçada e dramática quando precisa e na medida certa; e Martin Freeman, como um agente da CIA, que rende boas risadas ao se deparar com as idiossincrasias de um país tão diferente do dele.
O vilão principal, Killmonger, é um dos melhores do Universo Marvel (o que não é lá muito difícil, já que raramente a Marvel acerta no antagonista). A sua construção durante o filme, suas motivações, seus ideais para o futuro de seu povo são muito bem aceitáveis. Fora o fato de nos faz pensar sobre certo problemas que enfrentamos atualmente.
A representação da cultura africana é perfeita demais. A trilha sonora, as paisagens, os figurinos, a maquiagem, tudo remete às tradições da África. A representação do povo africano, seus rituais, sua dança e até o sotaque na fala, está incrível. É lindo de ver. Representatividade pura!
Apesar disso tudo, não é um dos melhores filmes da Marvel. As cenas de luta não são tão bem coreografadas e filmadas. O CGI é fraco, mal finalizado, os efeitos de computação gráfica são perceptíveis além da conta, tanto nas cenas diurnas quanto noturnas.
O enredo do meio pro final, apesar de algumas surpresas, se torna previsível em muitos momentos, não conseguindo fugir dos clichês da derrocada e ascensão do herói. Mesmo assim, é um filme diferente de todos os outros, que nos coloca pra refletir e entrega um bom entretenimento. Vida longa ao rei!!
