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domingo, 9 de junho de 2019

Nossa seleção feminina de futebol não merece mais uma derrota traumática

Não, não é a primeira vez que a Copa do Mundo Feminina é transmitida em TV aberta. 

Em 2007 a Band acompanhou nossa seleção na Copa da China quando fizemos a melhor campanha de toda nossa história. A Rainha Marta estava no auge e atropelamos as fortíssimas americanas nas semifinais. Nem o mais otimista torcedor esperava um triunfo tão esmagador. Elas jogaram muito!

O vídeo abaixo é da ESPETACULAR narração do Luciano do Valle nesta goleada de 4x0. Nunca fui fã da narração dele, porém, neste jogo, principalmente ao narrar o quarto gol, talvez o mais bonito na carreira de nossa Rainha Marta, ele se superou e deixou marcada sua voz na história do futebol brasileiro. É de arrepiar. É de chorar.


Infelizmente, na final, perdemos para as alemães por 2x0. Sofri muito com esta derrota, aliás, como nunca sofri com uma eliminação da seleção masculina. Não sabia eu que derrotas piores ainda estariam por vir. O futebol feminino tem um retrospecto bastante sofrido e perverso de muitas eliminações dramáticas em Copas e Olimpíadas, muitas derrotas na prorrogação ou nos pênaltis e muitos gols sofridos nos acréscimos. O destino vem sendo bastante cruel com essas jogadoras. Várias vezes chegamos tão perto, tão perto, e nada. 

As lembranças são as piores possíveis: além desta final perdida em 2007, fomos eliminados na Copa de 2011 nos pênaltis para as americanas. Em Jogos Olímpicos as derrotas foram mais cruéis ainda. Em 96, na estreia do futebol feminino em Olimpíadas, perdemos a semifinal para a China com um gol nos acréscimos. Já nas Olimpíadas de 2004 e 2008 ficamos com a medalha de prata após duas derrotas da mesma forma nas finais: perdemos para os Estados Unidos na prorrogação depois de empates no tempo normal. Ou seja, num intervalo de 4 anos, contando com a Copa do Mundo de 2007, chegamos a 3 finais e perdemos as 3. Até hoje não sei explicar. Elas mereciam demais vencer pelo menos um dos três títulos. Se eu pudesse, abriria mão de ver a seleção masculina vencer mais uma Copa em troca de um título para as mulheres. Se com falta de recursos, de apoio da CBF, de estrutura de desenvolvimento das atletas de base já conseguimos chegar tão perto, imagine se o futebol feminino fosse levado mais a sério neste país?

Como desgraça pouca é bobagem na trajetória destas jogadoras, a última eliminação doída aconteceu em casa. Na semifinal das Olimpíadas do Rio, em 2016, perdemos a vaga na final nos pênaltis para a Suécia, sendo que já tínhamos enfrentado as mesmas suecas na 1ª fase dez dias antes e as goleamos por 5x1 (eu estava no Estádio Engenhão vendo esse jogo). Éramos muito superiores, mas não sei como, não conseguimos vencê-las novamente.

Enfim, apesar de todo este espaço que a mídia vem dando para a nossa seleção neste mundial da França, de toda a cobertura que uma Copa feminina jamais teve no Brasil, inclusive com empresas liberando seus funcionários para verem as partidas, chegamos a esta edição com pouquíssimas chances. Não somos mais favoritos como em outras épocas. Perdemos os últimos 9 jogos preparatórios, a craque Marta (única jogadora de futebol, homem ou mulher, eleita 6 vezes melhor do mundo) vem de lesão e não joga o primeiro jogo, a meio-campo Formiga, nossa outra craque (disputa sua sétima Copa do Mundo, um recorde entre homens e mulheres), já tem 41 anos e nosso treinador Vadão é bastante contestado.

Espero que um eventual tropeço não afaste a torcida de edições futuras. As jogadoras pouca culpa têm nas derrotas passadas. Precisamos cobrar mais investimento e comprometimento da CBF em dar condições para que nossas atletas voltem a disputar as grandes competições de igual para igual com qualquer outra seleção no mundo. Desta forma, uma hora, o tão sonhado título virá. Tomara!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Band


A qualidade da Rede Globo é inquestionável. A emissora é líder de audiência em todos os horários, muitas vezes com grande diferença para a segunda colocada. E isso não é por acaso. Ela domina a teledramaturgia brasileira. Tem os melhores autores e atores do país. No jornalismo também é destaque, com correspondentes no mundo tudo e credibilidade nas informações.

Mas pra mim o grande sucesso da Globo se deve mais a falta de concorrentes à altura do que ao nível espetacular de suas produções. As outras emissoras preferem vender seus horários à Igrejas que produzir um conteúdo de boa qualidade que pudesse bater de frente com a emissora do “plim-plim”.

A Rede Record, segunda em audiência, se caracteriza por imitar a programação da Globo. O Hoje em Dia seria uma versão do Mais Você; o Domingo Espetacular equivale ao Fantástico; Rebelde seria Malhação; Esporte Fantástico corresponde ao Esporte Espetacular; Melhor do Brasil e Caldeirão do Hulk tem lá suas semelhanças; A Fazenda é o Big Brother Brasil da emissora do bispo; Programa do Gugu e o Domingão do Faustão têm o mesmo estilo. O Jornal da Record tem o mesmo formato e é no mesmo horário do Jornal Nacional. Fora que as novelas e os jornalistas da Record são, na sua maioria, ex-globais.

Já o SBT, que foi por muito tempo o principal rival da Globo, hoje parece cair das pernas. Não reformula sua grade, aposta nos medalhões, como Eliana e Raul Gil,  e não consegue prender a atenção de quem tem o controle remoto na mão. O que ainda resta de bom são os filmes; algumas novidades como o De Frente com Gabi e o Esquadrão da Moda, que dão certa audiência; os programas infantis, que aliás são os únicos restantes na TV aberta; e o incomparável showman Silvio Santos, que tem seus fiéis telespectadores e angaria novos a cada domingo com seu jeito despojado e “desantenado”.

Mas essa introdução toda é pra falar da emissora que, na minha opinião, mais se aproxima da qualidade global. A Band, que não a muito tempo era o canal do esporte, hoje continua sendo referência em coberturas esportivas mas virou também o canal do entretenimento e do humor.

A Band não se preocupa em imitar a Globo. Ela faz justamente o contrário. Traz uma uma alternativa pro telespectador. Ela não exibe novelas. Filmes?? Só aqueles antiquíssimos. Não vende mais seu horário nobre para programas religiosos. E você sabe quem são os responsáveis por essa mudança pra melhor?? Os argentinos.


Em 2008 a Band firmou uma associação com a produtora televisiva argentina Cuatro Cabezas, que hoje se chama Eyeworks, que já era sucesso na América latina. O primeiro programa advindo da parceria foi o CQC – Custe o Que Custar, que estreou no mesmo ano misturando jornalismo e humor. Devido ao grande sucesso, a Band decidiu dar toda liberdade para Diego Guebel, argentino fundador e proprietário da Eyeworks e agora diretor artístico da emissora paulista, produzir novos formatos para sua grade.

Depois do CQC, surgiram da parceria o E24, programa que mostra os bastidores das intevenções médicas nos hospitais brasileiros; O Formigueiro, programa comandando por Marco Luque e que foi um fracasso de audiência, aliás o único dos argentinos por aqui; A Liga, programa jornalístico que toda semana tem um tema e é sucesso ainda hoje; Polícia 24h, programa que acompanha os policiais de São Paulo em pleno exercício da função; O Mundo Segundo os Brasileiros, onde brasileiros que vivem em cidades do mundo todo contam as curiosidades do lugar; Agora é Tarde, talk-show do Danilo Gentili, ex-CQC; 

E em 2012 mais três programas idealizados pela Eyeworks entraram na grade da emissora. Mulheres Ricas, que foi exibido durante as férias do CQC, e que mostrou em 10 episódios o cotidianos de 5 mulheres endinheiradas e foi um grande sucesso de crítica e audiência, prometendo uma segunda temporada; Quem Fica em Pé?, game show apresentado por José Luis Datena e que foi muito bem na estreia essa semana; e o Perdidos na Tribo, onde três famílias que vivem em grandes cidades são levadas pra conviver com tribos isoladas do resto do planeta, com costumes bem diferentes dos nossos, e que também promete ser um sucesso - estreia sexta dia 13.

Fora a parceria com os argentinos, a Band ainda permanece com um jornalismo sólido, com grandes nomes como Boris Casoy e Ricardo Boechat.O esporte também continua tomando boa parte da programação e esse ano conta com mais uma atração, Os Donos da Bola. Para completar, ainda trouxe a turma do Pânico na TV, que dispensa apresentações, e estreou o Muito Mais, programa sobre a vida das celebridades, nas tardes de sua programação.

Tá bom ou quer mais?? Com essa grade diversificada a Band parece querer mais. E se depender de mim, audiência ela terá.

Um beijo no coração.