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terça-feira, 1 de setembro de 2015

NARCOS

Dá um orgulho danado saber que esta produção de alcance mundial tem dois brasileiros à sua frente: Wagner Moura (sempre perfeito), no papel principal, e José Padilha (Tropa de Elite e Robocop), como produtor executivo e diretor dos dois primeiros episódios.

A nova série original da Netflix é um retrato fiel do período de terror que a Colômbia viveu nos anos em que o narcotráfico de cocaína no mundo era comandado pelo Pablo Escobar. A história é contada em 10 episódios, com narração do agente da DEA, Steve Murphy. Tenho certeza absoluta que virá uma segunda temporada. até por que a história não foi concluída nesta primeira temporada. Além disso, só leio críticas positivas sobre a série.

A maioria dos diálogos são em espanhol, preservando o idioma natal dos personagens, mesmo sabendo que o público americano odeia legendas, o que mostra a vontade dos produtores de agradar aos telespectadores de toda América Latina, diferentemente de outras produções mundo à fora, apenas preocupados com os gostos estadunidenses.

A narração onipresente do personagem principal, cheia de ironias e frases feitas, como em Tropa de Elite, é típica de Padilha, além das críticas ao governo e aos políticos interesseiros que só pensam em seus ganhos próprios. Tem até a reprodução de uma cena clássica de tortura dos policiais do BOPE: o saco na cabeça.

Wagner Moura está estupendo, apesar de demonstrar claro desconforto com o idioma espanhol. Ele faz do Escobar um vilão perfeito, sádico, com motivações críveis e atitudes cruéis, um assassino sem piedade, inclusive de vários inocentes. Pablo tem tudo que um bom vilão de ficção precisa ter. Não dá pra criar empatia com ele, mesmo nas cenas em que há a tentativa de humanizar o traficante, quando ele está com sua família, por exemplo. Como o próprio Padilha disse em entrevista, a série usa muito material verdadeiro, de arquivo, pois só assim para acreditarmos nos fatos, de tão absurdos que são. Realmente, as reviravoltas na história, as fugas dos traficantes, os atentados, os assassinatos, tudo parece impensável.

Outros dois personagens que me cativaram graças às interpretações dos respectivos atores foram o Coronel Carrillo (Maurice Compte), com toda sua dureza e vontade de vingança, e o presidente César Gaviria (Raúl Méndez), com toda sua serenidade e bom senso.

Finalizando, Narcos foi o melhor retrato sobre o tráfico que já vi (bem verdade que eu nunca me aprofundei sobre o tema, nunca despertou meu interesse). Tudo na série foi bem feito. Ótimos diálogos, belas imagens, nenhuma censura a violência. Parabéns a Netflix. Streaming on demand is the future!!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

VIPs

Olá povo,

Esta semana fui assistir VIPs, um filme que esperava já a algum tempo. Tinha vontade de assisti-lo não só pelo roteiro, que me pareceu bastante surpreendente, assinado por Bráulio Mantovani (o mesmo roteirista dos Tropa de Elite), e ainda baseado em fatos reais, mas também pela presença do Wagner Moura, o melhor ator brasileiro nos últimos tempos, no papel principal de Marcelo; e por ser a O2 Filmes, do Fernando Meirelles, a produtora do filme, produtora essa que já me presenteou com a minissérie Som & Fúria, exibida em 2009 pela Rede Globo. Porém, a palavra que resume os meus sentimentos ao sair da sala de cinema é decepção.

Primeiro porque o filme tem muita coisa que não aconteceu de verdade. O Marcelo real sempre foi visto como criminoso, não como um louco que deveria passar por um tratamento psiquiátrico, como o filme faz parecer. O Marcelo também nunca teve visões. Ele é apenas um estelionatário, sem nenhum transtorno mental, e cumpre sua pena, depois de fugir quatro vezes da cadeia, na penitenciária central de Cuiabá (MT).

Outro ponto decepcionante é que saí do cinema com muitas dúvidas. Mas já era de se esperar, pois o próprio diretor do filme, Toniko Melo, disse que essa é uma obra para se assistir duas vezes. Fique até com vontade de comprar o livro “VIPS – Histórias Reais de um Mentiroso”, escrito por Mariana Caltabiano, que inspira o filme, pra ver se meus questionamentos são respondidos.

Fora isso, só vale salientar a atuação digna do Wagner, que parece se superar a cada personagem, e a alusão ao Tropa de Elite, na última cena do filme. Foi engraçado ver o Marcelo conversando com um Capitão do Bope.

Fica aí minha crítica. Espero que tenham gostado mais do que eu gostei do filme.

Abraços,

Filipe "Tchuco".